Cruzeiro com 1.300 turistas fica à deriva na Noruega

Os 1.373 passageiros do cruzeiro Viking Sky passaram uma madrugada de apuros em alto mar na Noruega. O navio sofreu uma pane generalizada em águas agitadas do oeste do país, na noite de sábado (23). À deriva, o navio começou a se direcionar para a região perigosa de recifes de Møre og Romsdal, em meio a condições meteorológicas difíceis.

Apenas no fim da madrugada, um dos quatro motores da embarcação voltou a funcionar e o cruzeiro pôde se estabilizar e ancorar, a dois quilômetros da costa. A partir de então, as autoridades conseguiram lançar uma impressionante operação de resgate.

Durante horas, os passageiros foram retirados por cinco helicópteros, num total de 397 salvamentos até o início da manhã. Destes, 17 resgatados foram internados em hospitais, alguns com fraturas.

A polícia informou que a maioria dos passageiros são americanos e britânicos. No início da manhã, mais dois motores voltaram a funcionar e, a uma velocidade lenta, o navio se afastou da costa e deve será rebocado para o porto de Molde nas próximas horas.


© Foto: Frank Einar/Vatne/AFP

Mar agitado dificulta resgate

“Os cabos para o reboque estão sendo instalados”, indicou o Centro de Resgates do Sul da Noruega, pelo Twitter. Enquanto isso, a operação de salvamento continua, apesar do mar agitado, com ondas de seis metros de altura.

Os passageiros são levados um a um para os helicópteros, que retornam ao continente com 15 pessoas a bordo. “O fato de haver muitos idosos representa um enorme desafio”, declarou o coordenador da operação, Jan Arne Dyrnes. A vizinha Dinamarca anunciou o envio de mais um helicóptero para ajudar no resgate.

O pedido de socorro foi emitido pelo capitão no início da tarde, por problemas em um dos motores. Imagens divulgadas de dentro do navio mostram a embarcação a uma velocidade elevada, levando móveis, plantas e demais objetos a se movimentarem por todos os lados. Apesar do susto, os passageiros tentavam manter a calma. 

Outro vídeo mostra dezenas de turistas sentados, com coletes salva-vidas à espera de resgate. “Estamos esperando o helicóptero para sair daqui. Está demorando muito”, comenta o autor das imagens, Ryan Flynn.

Região temida desde os vikings

A navegação é particularmente difícil neste trecho do mar, conhecido como Hustadvika. Desde a época dos vikings – navegadores experientes -, a região era evitada. Eles preferiam transportar por via terrestre as embarcações, de um fiorde a outro, para evitar a perigosa passagem.

No próprio sábado, outro barco menor teve de ser socorrido depois de uma pane motora na mesma zona. Há anos, as autoridades avaliam a construção de um túnel em uma montanha do litoral para desviar o trânsito em alto mar na região. Mas, até agora, o projeto não teve financiamento.

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